D. FRANCISCO SENRA COELHO

novo Arcebispo de Évora

 

D. FRANCISCO SENRA COELHO
ARCEBISPO DE ÉVORA

O domingo passado ficará para sempre na memória de muitos barcelenses. Um filho da terra, D. Francisco Senra Coelho, tomou posse como Arcebispo de Évora. E para aquela cidade do Alentejo lá rumaram dois autocarros e vários carros particulares. E valeu mesmo a pena.

É que não se tratava apenas de acompanhar e manifestar presença amiga e grata - já por si razão bem suficiente para a deslocação - mas também de participar num acto raro, com profundo significado eclesial. E os testemunhos ouvidos confirmaram-no: «nunca tínhamos assistido a algo tão belo».

Sobre a pessoa de D. Francisco, dispensam-se as palavras. Homem culto e afável, evangelizador apaixonado, de doutrina segura e de agir sensato, manifestou-se próximo de todos, empenhado na solução dos problemas, sábio nas soluções e sobretudo caloroso para com todos.

Foram quatro anos de serviço a Braga, como bispo auxiliar, que revelaram a sua estatura episcopal e a esperança que nele a Igreja põe ao confiar-lhe o cargo de metropolita das dioceses do sul. E foi próximo de todos, sejam cristãos ou não, do mundo eclesiástico como do mundo civil. Foi deste modo que o novo Arcipreste, o P. Manuel Graça, lhe dirigiu palavras de gratidão pelo carinho especial que manifestou pelo Arciprestado, pelos seus padres e fiéis e pelas gentes de Barcelos, ao terminar o último acto a que presidiu: a Eucaristia solene, evocativa do Centenário da morte de D. António Barroso, no dia da cidade, 31 de Agosto. Feliz coincidência: tendo servido a diocese, foi na sua querida cidade de Barcelos e entre os barcelenses que terminou a sua missão em Braga.

Não se estranhou que um grupo numeroso de barcelenses estivesse em Évora, no início da sua nova missão. Tal tinha já acontecido no dia da sua ordenação episcopal, quatro anos antes, a 29 de Junho de 2014. E merece destaque a presença do Município, na pessoa da vice-presidente, Dr.ª Armandina Saleiro, como tinha também acontecido em 2014. Felizmente que o Município esteve à altura dos acontecimentos, da pessoa e dos actos celebrados, honrando os cidadãos que representa. Ou não é verdade que, após as lutas partidárias, o governo é para todos e os eleitos são chamados a zelar pelo bem de todos? É lamentável que certas vozes que, por vezes, se levantam na praça pública, mas que agem sobretudo pelo atirar a pedra covarde - com que interesses corporativistas e ao serviço de que ideologias? - olhem para um acto que consideram apenas religioso, desvirtuando-o como acontecimento social, cultural e cívico. Ou não serão os crentes também cidadãos de primeira?

Mas voltemos ao acontecimento. Belo, porque bem celebrada a liturgia. Significativo, porque interpelante nos gestos e símbolos. Demorado, como se esperava, porque os grandes acontecimentos precisam de tempo para a palavra e para o silêncio. Emocionante, porque comprometedor para o futuro. Envolvente, porque toda a mensagem de Jesus, sempre o ponto de partida e de chegada, não exclui ninguém. E ali estavam não só os eclesiásticos - padres e bispos - mas o laicado, comprometido na vida eclesial ou simples crentes que olham para a Igreja e a sentem como uma Mãe acolhedora, mesmo que o discurso oficial e maioritário a carregue de rugas. Estavam, e como tal foram saudadas, as forças vivas da cidade de Évora, a começar pelos representantes legítimos do poder autárquico. Nem todos serão crentes mas o civismo impõe-se: representam um povo que também é crente.

A palavra do novo Arcebispo ecoou pela Catedral de Évora e, pela comunicação social, em todo o mundo. E foi forte o seu apelo a todos sem excepção para um novo e renovado compromisso com a evangelização, ou seja, com o anúncio da Boa Nova de Jesus num tempo e numa sociedade um pouco à deriva por ter abandonado os seus valores mais nobres, fundados na fraternidade que nos vem do acolhimento de Deus como um Pai para todos.

Sabemos que todas as instituições correm o risco de perder o fervor original da sua fundação. A Igreja de Jesus, a que pertencemos, vive e urge o confronto permanente com as suas origens de modo a nunca perder o frescor originário. A tomada de posse, que não podia esquecer a gratidão aos bispos anteriores - D. Maurílio de Gouveia e D. José Sanches Alves - foi um belo hino à frescura de uma Igreja que não envelhece com o tempo, geradora de novas esperanças para um povo que sempre deseja a presença amorosa de Deus.

O Prior - P. Abílio Cardoso

Autor: Paróquia Sta Maria Maior
Fonte: Boletim CONSTRUIR
Domingo, 09 de Setembro de 2018 - 19:51:57

Notícias relacionadas
06-11-2018: MAGUSTO PAROQUIAL
Comentar Imprimir  |   Voltar...
Recomende este site desenvolvido por aznegocios.pt