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Sábado, 16 de Dezembro de 2017

Património - Igreja Matriz de Barcelos


Designação

Designação - Igreja Matriz de Barcelos
Outras Designações - Igreja de Santa Maria Maior, matriz de Barcelos
Categoria / Tipologia - Arquitectura Religiosa / Igreja

Localização

Divisão Administrativa - Braga / Barcelos / Galegos (Santa Maria)
Endereço / Local - Rua Dr. Miguel Fonseca
                           Barcelos

                           Largo do Município
                           Barcelos

Protecção

Situação Actual - Classificado
Categoria de Protecção - Classificado como MN - Monumento Nacional
Cronologia - Decreto n.º 14 425, DG, I Série, n.º 228, de 15-10-1927 (ver Decreto)
ZEP - Portaria publicada no DG, II Série, n.º 8, de 11-01-1954
Abrangido em ZEP ou ZP - Sim

Nota Histórico-Artistica

A igreja de Santa Maria Maior de Barcelos situa-se num tempo artístico de transição, entre o fim da arte românica e o início do ciclo construtivo gótico. Algumas das soluções construtivas e decorativas aqui empregues participam destas duas artes, que começaram por ser antagónicas, pelo menos na região da Île-de-France, onde nasceu o Gótico, mas que, em zonas periféricas, se mesclaram e interpenetraram, formando um estilo de transição a que muitos chamam românico-gótico.
A iniciativa construtiva deveu-se ao conde D. Pedro, no século XIV, depois de estarem concluídos os exemplos marcantes do Gótico mendicante de Santarém, do Olival de Tomar ou de Santa Clara-a-Velha de Coimbra. O seu aspecto compacto e arcaizante, em consequência da implantação geográfica da velha nobreza românica, deve-se também ao facto de a iniciativa condal trecentista ter-se situado ao nível de uma provável remodelação do edifício, e não de uma construção de raíz.
 Várias hesitações construtivas identificadas na igreja parecem apontar para essa realidade remodeladora. O facto de a nave norte ser mais larga que a sul ou de os capitéis parecerem ser maioritariamente do século XIV, por oposição às bases de colunas ainda românicas (C. A. Ferreira de Almeida, 1990, p.43) faz-nos pensar nessa possibilidade. Por outro lado, a história da vila de Barcelos, com foral desde D. Afonso Henriques e sede de condado desde D. Dinis, é uma factor de importância vital para a provável concentração de uma actividade construtiva relevante e que não terá começado certamente apenas no século XIV.
Apesar do aspecto geral românico, a matriz barcelense deve inserir-se já no período gótico, como o portal principal bem o evidencia. Inserido num corpo avançado e ladeado por dois poderosos contrafortes - um elemento claramente comprometido com o românico -, não possui tímpano e os capitéis das arquivoltas são integralmente vegetalistas (C. A. Ferreira de Almeida, 1986b, p.68). Igualmente gótica é a organização espacial interna. Ao que tudo indica, a construção trecentista optou por arcos torais e formeiros, uma solução vigente em alguns edifícios românicos e com uma longa duração na tradição construtiva galega. A atenção que os condes dedicaram à igreja determinou, no entanto, que uma remodelação do século XV suprimisse este esquema e dotasse o interior da Matriz com uma espacialidade vincadamente mendicante (C. A. Ferreira de Almeida, 1990, p.43). Um espaço que numa primeira abordagem poderia significar um dos primeiros testemunhos góticos no Entre-Douro-e-Minho, pertence efectivamente ao século XV, dado que, a juntar às remodelações quinhentistas e setecentistas, apenas vem confirmar a necessidade de um estudo monográfico rigoroso sobre a história da Matriz de Barcelos em relação com a casa ducal.
Nos alvores da Modernidade, a Igreja Matriz de Barcelos era o principal templo da localidade e um dos mais importantes da região. É por este facto que vamos ver aparecer, nesta altura, algumas capelas funerárias privadas e enterramentos isolados no espaço da Matriz-Colegiada. De todos eles, o mais importante é o da família Pinheiro, cujo paço se localiza muito perto do monumento. Este panteão, datável dos meados do século XVI, constitui um dos melhores testemunhos da arte renascentista no Entre-Douro-e-Minho. Outras obras marcaram a transição para a Idade Moderna, como a nova abóbada da capela-mor, obra manuelina, de perfil estrelado, custeada em 1504 por um judeu local, D.Gil da Costa, cujo nome e data constam do bocete central. Posteriormente, todo o interior do templo foi decorado ao gosto barroco, datando dos séculos XVII e XVIII o notável conjunto de retábulos e, principalmente, o integral revestimento das paredes com azulejos azuis e brancos, importados de Lisboa e das grandes oficinas de inícios de Setecentos. (Fonte IGESPAR)


FONTE: DGEMN - Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais

Igreja Matriz de Barcelos / Igreja de Santa Maria Maior PT010302140007
Portugal, Braga, Barcelos, Barcelos
 
Arquitectura religiosa, gótica, barroca, maneirista, revivalista. Igreja paroquial de estrutura gótica, reconstruída sobre uma pré-existência românica, de planta longitudinal de três naves, que apenas se evidenciam na fachada arcaizante através dos contrafortes, com quatro tramos, e cabeceira neogótica, resultante das obras do séc. 20, tripartida com abside rectangular e absidíolos poligonais. Apresenta torre sineira setecentista de planta quadrangular e diversos volumes correspondentes a capelas, sacristia e arrumos, resultantes das profundas alterações que a igreja sofreu durante o séc. 16, 17 e 18. No remate de algumas das fachadas surgem cornijas decoradas com perlado e cachorradas simples. Portal principal com esbarro da fachada e contrafortes simulando alfiz, profundo, em arco quebrado, de estrutura gótica, com cinco arquivoltas quebradas, decoradas, de lados verticais e remate arredondado, assentes em finos colunelos redondos e prismáticos. Os capitéis apresentam decoração com temas vegetalistas e naturalistas, seguindo as regras góticas, e motivos historiados, de tradição românica, como duas aves bebendo do mesmo vaso, animas devorantes e aves de pescoços enlaçados. Interiormente, assemelha-se às igrejas de Paço de Sousa (v. PT011311220003), Travanca (v. PT011301360003) ou Pombeiro (v. PT011303150001), da fase mais evoluída do românico do Baixo Minho e Douro Litoral, com características da arquitectura religiosa gótica do Norte, como a volumetria ligeiramente atarracada e ao nível da iluminação bastante escura, evidenciando a arquitectura gótica mendicante com fachadas laterais rasgadas por frestas de dois lumes em arco quebrado, e nos topos da nave central por rosáceas. As naves são separadas por arcaria quebrada assente em pilastras cruciformes, com colunas adossadas a cada uma das faces. Os capitéis ainda com morfologia românica possuem temática decorativa do séc. 14, historiados, com pequenos cestos ornamentados com elementos vegetalistas, heráldicos, do quotidiano e zoomórficos. A cobertura das naves é de madeira com o travejamento à vista. A cabeceira, primitivamente semi-circular, apresenta coberturas em abóbadas polinervadas, rasgadas por altas frestas quebradas, surgindo nas paredes laterais da capela-mor janelas maineladas, recordando a solução de Santiago de Compostela, sugerindo que os absidíolos seriam mais baixas. Portal lateral, de feição maneirista, com arco pleno enquadrado por pilastras e aletas recortadas, sobre o qual se desenvolve edícula com pilastras molduradas e aletas recortadas, e remate em frontão triangular. Carneiro dos Pinheiros, maneirista, inserido em arcosólio com pilastras com altos pedestais e capitéis jónicos e frontão triangular. Da mesma época são os retábulos de Santa Apolónia e de Nossa Senhora das Dores, que seguem um esquema arquitectónico, baseado nos portais da tratadística de Vignola. De talha em branco, o de Nossa Senhora das Dores, com apontamentos dourados, planta recta de três eixos enquadrados por colunas torsas intensamente relevadas. O ático é constituído por tabela, enquadrada por pilastras e aletas volutadas, e rematada por frontão. No séc. 18 a igreja foi revestida a azulejos figurativos joaninos com temática Mariana, envolvidos por arquitectura ilusória e a sacristia com silhar de cenas do quotidiano substituindo o antigo revestimento de padrão seiscentista. De talha em branco com apontamentos dourados, joanina, surge o grande órgão, o cadeiral e o retábulo da Imaculada Conceição. Grande órgão de tubos com castelos em meia cana escalonados e por nichos sobrepostos decorados com gelosias em cortina. Remates com motivos fitomórficos, putti e coroa real fechada, grandes anjos tocando trompetas francesas e pináculos. Apresenta balaustrada decorada com conchas, idêntica à grade que fecha a capela do Santíssimo Sacramento. O cadeiral, de alto espaldar recto com painéis moldurados, ritmados por quarteirões, é decorado com composições fitomórficas, zoomórficas, putti e pináculos piramidais. Retábulo da Imaculada Conceição de planta recta de um só eixo com quarteirões e remate recortado composto por elementos fitomórficos com pelicano. Retábulo da capela do Santíssimo Sacramento, barroco nacional, de talha dourada, planta côncava, de um só eixo, com tribuna albergando trono, enquadrada por colunas pseudo-salomónicas, prolongadas em arquivolta, e assentes em modilhões, com sacrário integrando a estrutura retabular. Na decoração predominam os pâmpanos, pássaros e querubins. Os restauros do séc. 20 procuraram devolver ao edifício as suas características primitivas, perdidas durante os restauros sofridos nomeadamente nos séc. 17 e 18, com a recriação sobre o pórtico principal da primitiva rosácea, a reconstrução das três capelas da cabeceira, a reprodução de alguns capitéis das naves e a remoção do coro-alto.


BARCELOS

Fonte: Dr. Teotónio da Fonseca "O Concelho de Barcelos Aquém e Além-Cávado", Barcelos, SCMB/CMB, 1987.