UM OLHAR OUTRO

20 de Fevereiro de 2022

Temos um novo Arcebispo em Braga. Esperado e desejado durante muito tempo, foi nos últimos dois meses e meio que nos preparamos para o receber. E no fim de semana passado foi a sua tomada de posse, esta no sábado, e a apresentação à Arquidiocese em celebração solene na Catedral no domingo, actos envolvidos de várias declarações e entrevistas que nos permitem sintonizar com as linhas de força do seu ministério episcopal, base da esperança renovada na caminhada da Igreja diocesana. Aliás a esperança foi por várias vezes referida ao longo da homilia de domingo. Estive presente na Sé Primaz no passado domingo. Comunguei do ambiente festivo. Ouvi com atenção a primeira mensagem do novo Pastor aos seus fiéis. Em voz firme e clara, o nosso Arcebispo deixou um apelo particular para os padres, com quem quer contar para a «Igreja sinodal e samaritana». Chamou-nos os “primeiros e indispensáveis colaboradores» para o ajudarmos a ser Pai e Pastor.

Gostei particularmente de o ouvir dizer que o presbitério está antes do presbítero: «O presbitério não é a soma dos presbíteros de uma diocese. Não são os presbíteros que fazem o presbitério, é o presbitério que faz os presbíteros. Nós nascemos do mistério de Cristo. Antes de mais a comunhão e depois a missão».

Nestas poucas palavras vejo eu uma orientação muito concreta para a evangelização («só se evangeliza com o evangelho») que se impõe face a um mundanismo que invade a Igreja e que nos afasta da especificidade da nossa missão, valorizando o activismo e estratégias pastorais em detrimento da conversão pessoal e da consciência de que a Igreja é conduzida pelo Espírito Santo.

Colocando a comunhão presbiteral antes da missão, o nosso Arcebispo deixou já uma «grande» resposta para problemas bem reais no presbitério.

A pandemia, que agora parece deixar de se impor como condicionante sempre presente à actividade pastoral, trouxe restrições, fez abandonar hábitos e tradições e contribuiu em parte para que as igrejas se esvaziassem. Ela põe-nos agora uma nova questão: o que retomar daquilo que ficou pelo caminho? E como fazê-lo? Não será esta uma hora de graça para o necessário discernimento, que o Sínodo nos lembra? É que corremos o risco de perder uma oportunidade única, a de corrigir hábitos e tradições que, com o tempo, perderam grande parte da sua razão de ser por consumirem demasiadas energias pastorais, de padres e de leigos, diante de «resultados» tão diminutos, a pedirem ou renovação profunda ou mesmo abandono. Teremos coragem para isso?

Numa entrevista, o nosso Pastor deixou já uma orientação genérica mas bem elucidativa: «confronto com o evangelho» e «atitude de escuta» vão indicar o que é para continuar ou para repensar».

Tendo em conta o alívio da pandemia, a entrada de um novo Arcebispo, que precisa de tempo não só para conhecer a Arquidiocese como para fundamentar decisões, é de esperar - é legítimo esperar - de todos, padres e leigos, a compreensão necessária para que ele não tenha de esgotar a agenda nos primeiros embates com a realidade de uma Igreja de ritmo acelerado, mas com decisões há meses em suspenso.

Todos desejamos respostas quanto a procissões, crismas, festas religiosas, peregrinações, etc. Não será mais ajuizado gastarmos as nossas energias no «confronto com o evangelho» e na «escuta», dando novo vigor aos grupos sinodais - esses não precisam das decisões do novo Pastor - promovendo o fervor na vida cristã no «tempo favorável» que se avizinha?

P. Abílio Cardoso

Publicado em 2022-02-21

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