UM OLHAR OUTRO

13 de Março de 2022

Vai já para dois anos que o Conselho Pastoral da Paróquia não tem reunido. A razão é óbvia: na última reunião, em Junho de 2020, já se pensava no pós-pandemia e, mesmo agora, quase dois anos depois, mantém-se uma indefinição muito grande. Teremos de nos habituar a viver com o vírus, diz-se.

Apesar de tudo, a vida da Igreja e da sociedade continua-se. As restrições, que a prudência impõe, não podem servir de justificação para um «baixar os braços» resignados. O espírito de missão que preside à acção pastoral leva certamente à descoberta de novas formas de presença da Igreja no mundo, sempre necessitado de Boa Notícia.

O Sínodo Por uma Igreja sinodal - Participação, Comunhão e Missão está em curso, em ritmos diferentes é certo, mas prosseguindo o mesmo objectivo: Escutar o Espírito Santo, escutando-nos uns aos outros e caminhando todos juntos numa Igreja que é de todos.

A experiência destes meses passados diz-nos e põe-nos diante de uma realidade concreta, agora dela mais conscientes: não é fácil escutarmo-nos e sentirmo-nos responsáveis uns com os outros do que se passa na Igreja. Quem não reconhece que é bem mais fácil olhar para a Igreja como alvo de todas as acusações e responsável de todos os nossos insucessos? Ou pensá-la como «dos padres, bispos e Papa» em vez de «todos os fiéis, todos os batizados»? Exigindo daqueles uma santidade quase desumana porque catapultados para a esfera do divino, «descansando» nos seus pecados justificados com «eles ainda são piores que eu»?

Já o disse e repito: custa-nos sair das temáticas mediáticas com que se acusa a Igreja: o papel da mulher, as questões fraturantes ligadas à sexualidade, o celibato, a ordenação das mulheres, etc. Questões essas tão debatidas que nos fazem cair na tentação de pensar que a Boa Nova de Jesus e a acção da Igreja que a serve se resumem a tais questões.

Há dias lia eu no 7margens (setemargens.com) «dez propostas para melhorar a situação» sobre a inclusão das mulheres nas paróquias. Refere-se o texto a iniciativas lançadas em França por duas associações de mulheres que convidavam a um olhar objectivo e «medido», de modo a que as mulheres sejam mais vistas na acção pastoral e até litúrgica.

Aceitei pessoalmente o desafio. Busquei as listas dos diversos grupos da Paróquia e concluí: se não fossem as mulheres na Paróquia de Barcelos, com quem trabalharia eu? Vejamos então: No Conselho Económico conto com oito pessoas para me ajudarem na gestão da Paróquia: são cinco homens e três senhoras. Este desequilíbrio é compensado no Secretariado Permanente do Conselho Pastoral: cinco senhoras e três homens

Ambos reúnem mensalmente com o Prior, passando toda a acção pastoral por estes dois grupos.

Entretanto, o Conselho Pastoral, que é formado pelos responsáveis ou líderes de todos os grupos da Paróquia e outros que o Prior convida para melhor representatividade, apresenta um equilíbrio total. Agora que se pensa voltar a reunir o Conselho Pastoral no início do novo ano, urge renová-lo e até reduzir o número de elementos, que agora são 40, para melhor funcionamento. Pois bem, dos 39 que me aconselham 18 são homens e 21 são senhoras. Mais ainda, todos os convidados, quatro, são senhoras.

E que dizer das nossas confrarias? Uma delas é constituída apenas por senhoras e em quase todas as outras, as senhoras são em maior número nos Órgãos Sociais.

Olhando para as propostas vindas de França, reconheço: há mulheres a fazer leituras e a distribuir a Comunhão; há crianças, meninos e meninas a ajudar à Missa; há mulheres a «dar formação, organizar e dirigir tempos de oração», os catequistas são quase só senhoras... e, na nossa Paróquia, todos os campos estão abertos a homens e mulheres. Dou graças a Deus.

P. Abílio Cardoso

Imagem: Paróquia de Barcelos


Publicado em 2022-03-12

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