UM OLHAR OUTRO

20 de Março de 2022

Face ao terror das várias imagens que nos entram todos os dias casa adentro, que podemos pensar relativamente ao estado da nossa civilização humana neste século XXI?

Que progresso é o nosso diante de tanta barbárie, sempre «afastada» do nosso quotidiano, preferindo ignorá-la apesar de se tornar tão próxima que nos incomoda? Será que nos damos conta de que o progresso tem sido apenas exterior, técnico-científico, mas que o coração humano parece estar cada vez mais bárbaro, sedento de sangue e de vingança?

Será que a educação, que supostamente os Estados promovem e em que gastam enormes fatias do orçamento público, desenvolve a pessoa por dentro ou apenas a afogam de ilusões de felicidade, desde que as barrigas se encham?

Certamente que longe estava o Papa Francisco, ao escrever a mensagem da paz para o primeiro dia do ano, de pensar que, dois meses volvidos, a Europa interrompia décadas de paz, para conhecer uma nova guerra, com requintes de sadismo proporcionados pela tecnologia bélica. Recordo dessa mensagem a denúncia do Papa de que os Estados investiam mais em armamento do que em educação. Que termos usaria o Papa hoje para tal denúncia? Barbárie, Massacre, tragédia...E sabemos que, diante desta guerra na Ucrânia, os países europeus «acordaram» para a questão da defesa e segurança, justificando novos e mais avultados investimentos em armamento, em exército... o que vai desequilibrar ainda mais a balança em relação ao que se investe na educação. Que justiça ou que promoção humana se faz quando os direitos humanos ou a Liberdade só se promovem à força? Até que nível desce a Humanidade neste século XXI, que ainda não aprendeu a resolver os diferendos pela via do diálogo?!

Onde está o respeito e a promoção da fraternidade, que nos faz situar entre iguais, irmãos uns dos outros?! Pois é... será possível falar de irmãos sem reconhecermos uma paternidade comum? Porque não reconhecer que a nossa Europa se tem vindo a desviar dos valores que a fundaram, dos ideais dos pais que lhe deram origem, que eram profundamente crentes? Apesar de nunca podermos aceitar que uma guerra se possa justificar com a julgada devassidão ou desvio de valores por parte dos outros, aqueles que são atacados, há certas acusações que são feitas à Europa que merecem ser reflectidas. Quem não sente a pobreza espiritual que grassa pela nossa Europa, cuja história se afirmou sempre nas raízes do cristianismo?

Importa educar para a paz. Desde tenra idade importa desenvolver o «cordeiro» que há em nós e, por processos gradativos mas firmes, «enjaular» o lobo que também há em nós. E educar é muito mais que informar. Será que as nossas escolas, em que as jovens gerações passam a maior parte do dia e se sobrepõem à influência natural das famílias, favorecem a formação de cidadãos adultos, autónomos e livres, profundamente respeitadores das diferenças, amantes da paz e dialogantes com quem pensa de modo diferente?

É problema social grave a violência doméstica e até a violência nas escolas. Mais grave quando se toleram justificações como a da violência no namoro. Não serão sinais suficientes de alerta para que a escola seja repensada na sua vocação natural de ensinar e de formar para uma sadia cidadania, para a pacífica convivência de todos? Não será tempo de repensar o espaço dado a tantas ideologias que põem tudo em causa, com o objetivo ilusório de «uma nova ordem», como se o ser humano fosse «construível» como um objecto a moldar segundo modelos da última moda?

Porque será que o Estado tem tanta dificuldade em aceitar outros modelos educativos que permitiriam a livre escolha dos pais?

P. Abílio Cardoso

Créditos: Foto - Pixabay

Publicado em 2022-03-20

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