UM OLHAR OUTRO

27 de Março de 2022

Como vamos de Sínodo?

Esta pergunta interpelativa, já várias vezes repetida, merece ser acolhida por todos os fiéis da Igreja. De facto, uns meses depois, urge parar para pensar: como tem decorrido a caminhada sinodal e até que ponto se têm conseguido os objectivos que o papa propôs para toda a Igreja? A pergunta só adquire o seu sentido mais profundo quando a localizamos e nela nos implicamos. Como vamos então de Sínodo na nossa Paróquia.

Como primeiro responsável devo louvar o Senhor pelas três ou quatro dezenas que ao menos começaram a caminhar juntas. Mais ainda por aquelas que se têm mantido, sem desistência, convictas, agora por experiência, que a escuta não é fácil mas é o caminho que se impõe aos cristãos de hoje, desejosos também de encontrar novas vias de corresponsabilidade na Igreja que é de todos. Claro que não deixo de lamentar não ter conseguido um empenho bem maior de todos, particularmente dos diversos grupos e confrarias, como, a dado momento, sonhei e insisti para que fôssemos capazes de empenhar também os afastados da prática religiosa.

Da minha própria experiência, retenho que nós, os sacerdotes, temos igual dificuldade em agir sinodalmente como os leigos que connosco colaboram. É difícil sair de um registo humano, ideologicamente marcado, com interesses e importâncias próprias, reivindicando postos e/ou cargos que nos permitem visibilidade. Pergunto-me muitas vezes se as nossas reuniões, mesmo que começadas e terminadas com oração, se diferenciam muito das reuniões de empresas, de autarquias ou de outras associações.

Estamos todos marcados por uma cultura que não sabe escutar, muito menos cultiva o silêncio, e as decisões raramente são tomadas depois de um processo de escuta que procura evitar preconceitos. Logo, quando se sai de uma reunião, quase todos saem como entraram, «cada um com a sua».

A intuição do Papa Francisco é, na minha opinião, a melhor e mais urgente resposta para esta Igreja «em crise». Será que já nos apercebemos disto? Que bom seria compreendermos que todas as decisões na Igreja e nas suas instituições, a começar pelas paróquias, confrarias e grupos, devem seguir o caminho sinodal: todos à escuta uns dos outros para discernirmos o que o Espírito Santo quer de todos.

Estamos a chegar ao termo de um processo «nas bases». Pedem-nos que, em Abril, se faça chegar à equipa diocesana do Sínodo, o fruto da caminhada sinodal nas paróquias. Assim o faremos.

Entretanto, nós, os padres, recebemos uma carta do Secretário Geral do Sínodo, Cardeal Grech, e do Prefeito da Congregação do Clero, Lazzaro SIK, que se dirigem aos padres, certamente para neles renovar o entusiasmo pelo Sínodo, face às reconhecidas dificuldades, entre elas a de alguns poderem pensar que, tratando-se de valorizar o baptismo e a igualdade fundamental de todos os fiéis na Igreja, o lugar do padre possa estar ameaçado. Sabemos que pode ser um perigo, a juntar à «grande carga pastoral» que se tem e a que se vem juntar mais esta, a de se pôr e colocar os outros em Sínodo. Recordam-nos eles que «no primeiro milénio, ‘caminhar juntos, isto é praticar a sinodalidade, era o modo usual de proceder da Igreja». E recorda o objectivo do Papa: «mostrar o verdadeiro rosto da Igreja: uma ‘casa’ hospitaleira de portas abertas, habitada pelo Senhor e animada por relações fraternas».

E convidam-nos a evitar o formalismo, o intelectualismo e a inação, «para que nada mude».

Esta é a Hora. A nossa Hora. A Hora de todos. A Hora da Igreja. SEJAMOS SINODAIS.

P. Abílio Cardoso

Publicado em 2022-03-26

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