UM OLHAR OUTRO

22 de Maio de 2022

A formação está na ordem do dia. Na sociedade civil como na Igreja.

Mal da empresa que não investe na formação dos seus colaboradores. E reconhecemos o enorme investimento que os Estados fazem na promoção do conhecimento. Aceder a um curso superior está hoje ao alcance da generalidade da população, o que é louvável. Já quanto ao conteúdo dos conhecimentos ou ao aproveitamento humano dos conhecimentos, o discurso é variável. As antropologias parecem não acertar naquilo que é verdadeiramente constitutivo do ser humano, integrando passado e aberto ao futuro.

Vem isto a propósito da recente conferência havida no Auditório Municipal na quarta-feira passada sobre o tema «O percurso inevitável de construirmos a Casa Comum», proferida pelo Dr. Paulo Magalhães. Pudemos contar com uma centena de pessoas atentas, surpresas e felizes, mesmo no meio das dificuldades próprias do tema que, seguindo de perto os grandes desafios que já o Papa Francisco lançou na Laudato Sí, se situou mais numa base científica.

A temática não poderia ser mais actual. Como, de resto, têm sido de profunda actualidade todos os temas que o CESM (Centro Espírito Santo e Missão), sito no Seminário da Silva, tem proposto aos barcelenses. Sim, porque a proposta veio do CESM, foi oferecida ao Arciprestado de Barcelos e, ao ser proferida no Auditório Municipal, dispôs-se como oferta da Igreja a toda a sociedade.

Vem de largos anos atrás o cuidado do CESM em proporcionar temas de formação que ajudem a tomar consciência crítica do que somos na sociedade em que vivemos. Sobretudo dirigidos aos cristãos de Barcelos e arredores, os temas têm sido relevantes, tratados com qualidade por parte dos convidados e acessíveis ao público que os acolhe. Honra seja ao CESM, sempre atento à dimensão evangelizadora e/ou missionária da Igreja. O que deve ser continuado e apoiado, ao menos ao nível do Arciprestado e de cada Paróquia, de onde seria de esperar a presença de um grupo de participantes, qual fermento a levedar toda a massa da comunidade cristã.

Sabemos como abundam hoje as ofertas de formação. Nos mais variados temas oferecidos a todos que, até por excesso, passam ao lado da maioria das pessoas. A necessidade de formação é discurso batido. Penso, no entanto, que não assumido na realidade. De facto, dá pena ver como tantas instituições investem em tempos de formação, em ciclos de conferências temáticas, em metodologias inovadoras também no campo da sua divulgação e apresentação... mas..., ouve-se, «são sempre os mesmos». Ou para os mesmos, um punhado de gente atenta às oportunidades de aumentar conhecimentos, de viverem actualizadas e intervenientes. Penso que se passa o mesmo no campo civil e não só na Igreja. O que é pena. Só quando se é obrigado, ou conta para o currículo é que as pessoas se motivam?

Valeu a pena trazer do âmbito do Seminário da Silva para a cidade esta conferência sobre a «Laudato Sí - o desafio da ecologia integral». Ela fez-nos lembrar o que acontecia antes da pandemia nas conferências promovidas pelo Arciprestado, normalmente em Outubro e Novembro; ou mesmo as Semanas Bíblicas anuais, repetidas ao longo de uma década. O espaço do Auditório repleto, tantas vezes com mais de duas centenas e meia de participantes, saía dignificado e útil como espaço de cultura, assim o julgava, felizmente o Município. Será que poderemos voltar um dia a esses felizes tempos? Todos temos uma palavra a dizer mesmo que todos nos sintamos «invadidos» de tantas e tantas propostas, às vezes de sinal contraditório umas e outras.

A terminar, uma palavra se impõe, ao terminar um ano pastoral e entrarmos no planeamento do próximo. Caminhar Todos Juntos torna-se a via da acção pastoral proposta pelo Papa Francisco. Pertence a todos os cristãos assumir por inteiro a missão da Igreja. E esta só se torna credível se «todos juntos» nos pusermos à escuta do Espírito antes de tomarmos decisões. De modo que estas não sejam fruto de imposições de uns sobre os outros, mas antes o caminho do Espírito por todos acolhido. Que ninguém se dispense deste caminhar juntos. Dele depende a credibilidade dos cristãos e da Igreja.

P. Abílio Cardoso

Créditos: Foto - Pixabay

Publicado em 2022-05-22

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