UM OLHAR OUTRO

29 de Maio de 2022

Certamente me perguntarão qual a minha reação diante de um texto, assinado por Paulo Vila, no Jornal de Barcelos (nº 574). Desta vez até mereci foto. Como sabem os meus leitores, com o título Um olhar Outro procuro ir mais longe do que aquilo que se diz num primeiro olhar superficial.

Procurarei ser claro.

1. O título leva-me de imediato a constatar que não é objectivo, mas claramente tendencioso. O que não me causa admiração por ser atitude repetida e expectável. Poderíamos perguntar: acordo polémico? Um acordo supõe uma certa harmonia. Financiar a Paróquia? Totalmente falso.

2. Na verdade, trata-se de um protocolo que exara por escrito, como convém na administração pública, em que as obrigações de uma parte, a Paróquia, bem como as da outra parte, o Município, se conhecem publicamente. Com uma única novidade: por escrito e com o objectivo de transparência, porque, quanto ao conteúdo, nada foi alterado em relação aos 18 anos últimos.

3. Mais ainda, o articulista registou - o que foi para mim feliz novidade - que o texto do protocolo foi objecto de apreciação em reunião camarária e aprovado por unanimidade. É legítimo então que o cidadão se pergunte: quem fiscaliza as ações do Executivo municipal? Se governo e oposição estão de acordo e votam por unanimidade, quando o jornalista contesta não estará a assumir o lugar da oposição? Com que direito? Sujeitou-se ele ao escrutínio dos eleitores? E não deve o jornalista colocar-se também ao serviço do bem comum, intervindo para que sejam aceites as decisões democráticas?

4. Claro que o jornalista tem o seu lugar no regime democrático. Fazem falta jornalistas atentos aos gastos dos dinheiros públicos. Terá ele o direito de se julgar a bitola comportamental na gestão da causa pública? Que moralidade e reconhecimento público se atribui a si próprio?

5. Estas questões que me coloco e partilho têm apenas o objectivo de ajudar a um sentido mais crítico, de modo que os leitores cheguem mais longe do que os títulos dos jornais. Formar na objectividade e verdade deve ser missão de todos. A liberdade de cada um diante dos acontecimentos expostos com verdade poderá gerar opiniões diferentes na interpretação e valorização dos mesmos. A nossa democracia tem suficiente maturidade para viver bem com as diferenças.

6. Certamente que os leitores de Construir me pedirão mais. Perceberão facilmente que o jornalista tenha intenção de pôr em causa, quer o Executivo camarário quer a oposição, e a maneira como olham para a Paróquia, manifestando o seu próprio receio, sabe-se lá por que razão, de que a Paróquia subsista com as verbas do Município. Como se interrogarão a que propósito se invoca a Lei da Liberdade Religiosa, só perceptível quando se manifesta a intenção clara de fazer passar a ideia - mais uma vez – de que as Paróquias ou instituições religiosas não podem ser subsidiadas com dinheiros públicos.

7. Uma vez mais se deturpa propositadamente a verdade: a Paróquia não foi financiada pela Câmara, porque os cristãos da Paróquia de Barcelos cotizam-se para tal e não mendigam à Câmara dinheiro para os ajudar nas suas rezas ou atividades religiosas.

Do que se trata na verdade é de um serviço de que a Câmara não quer prescindir e que não pode realizar por si própria. Um serviço que tem encargos. Que a Paróquia suporta a partir do tal protocolo assinado. Desde quando é que o Município fica impedido de o fazer com qualquer instituição? Com que base legal? Ou então as faturas dos serviços pedidos e prestados terão de ser endossados ao jornalista?

8. A verba de 20.000 euros, investida pela Paróquia na organização da Procissão das Cruzes, a pedido do Município, foi, de facto, este ano aumentada em razão de incluir encargos com a Banda de Música, o que não era habitual.

9. Por último, lembro os anos em que, em Conselho Pastoral, se discutia se não seriam demais as procissões organizadas na cidade e se pensava alternar a dos Passos com a das Cruzes. Foram talvez as inovações que se foram fazendo nesta, o que implicou sempre novos encargos de ano para ano, que geraram o que só não vê quem não quer ver: a procissão das cruzes ocupa o lugar central no programa das festas. Não é a Paróquia que pede a procissão. Os barcelenses a desejam.

P. Abílio Cardoso

P.S. - Escrito este texto para ser publicado na semana passada, deixei-o a aguardar suspeitando que Luís M. Cunha retomaria o assunto, para se fazer eco mais demolidor ainda. Os leitores saberão interpretá-lo.

Publicado em 2022-05-29

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