UM OLHAR OUTRO

12 de Junho de 2022

No meio de tantas imagens trágicas, de tantas notícias do dia a dia de uma guerra às portas da Europa, de imensos programas de análise e comentário, que relegam para segundo lugar quaisquer outros acontecimentos relevantes, interrogo-me sobre a atitude do Patriarca russo, Cirilo, «oficialmente» apoiante da invasão russa e «protector» de Putin. Como é possível um líder religioso estar tão «agarrado» a uma conceção de poder autocrático e abençoar uma guerra.

É neste contexto que estremeci com a «justificação» que os nossos media evitaram repetir e comentar: salvar o Ocidente da perversão em que caiu, desviando-se dos verdadeiros valores ditos ocidentais.

Que é verdade que a Europa de hoje se tem desviado da rota traçada pelos pais fundadores, profundamente enraizados nos valores do cristianismo, ninguém já duvida. Até porque, pasme-se mas não se estranhe, a nossa cultura está cada vez mais «vacinada» contra tudo aquilo que tenha a marca da cruz.

Mas, que valores são esses ditos próprios do Ocidente? E de onde vêm ou qual o seu fundamento? Eles arrancam, de facto, de uma civilização cristã, hoje posta em causa e até olhada como prejuizo e causa de «atraso». Eis-nos diante de uma perniciosa mentira, só contestada por alguns corajosos, que os media ignoram.

Acabo de ler um artigo sobre este assunto: Riccardo Cascioli, em Nuova Bussola Quotidiana de 14 de abril passado, interroga-se: «Quando falamos de Ocidente, entendemos a civilização cristã que lhe deu origem, com todos os valores a ela associados: a ordem natural, o valor da pessoa, o carácter sagrado da vida». E acrescenta que não são esses os valores que o Ocidente defende hoje mas valores de sentido contrário, ou anti-valores. E cita-os: terceiro-mundismo, indigenismo, ideologia de género e aborto. Na mesma linha de outro artigo, este da autoria de Stefano Montana, que afirma: «O Ocidente é uma civilização em que o cristianismo

sintetizou e purificou a filosofia grega e o direito romano». E aponta as consequências concretas: o reconhecimento de um Deus criador, para quem o mundo inteiro é uma criação, com o homem em primeiro lugar, um homem que é responsável diante de Deus por tudo o que o rodeia.

Ora, o que vemos, diz Casciolli, apoiando-se em Fontana, o que vemos é a rejeição do cristianismo, num «processo que dura há séculos, mas que chegou, sem dúvida, à maturidade nas últimas décadas». E acrescenta: «Trata-se de uma leitura da história em que todos os males são fruto da cultura ocidental e da civilização cristã em particular. Hoje são muitas as correntes culturais e políticas que interpretam este sentimento».

E dá vários exemplos a comprovar o que afirma. Relevo apenas para a ideologia de género e o aborto, a destruição da família, o indigenismo e o ecologismo promovidos por governos e instâncias da ONU como negação da ordem natural.

Estes autores classificam todas estas movimentações do Ocidente como ódio de si ou rejeição da sua história e perguntam-se: como pode alguém que ama o Ocidente, enquanto herdeiro da civilização cristã, do pensamento grego e do direito romano estar de acordo com aqueles que usurparam o título de Ocidente?

O artigo continua para revelar alguns dados preocupantes no que toca ao porquê desta ajuda massiva à Ucrânia, sobretudo no que à promoção das mães de aluguer, indústria fértil na Ucrânia, diz respeito.

P. Abílio Cardoso

Créditos: Foto - Pixabay

Publicado em 2022-06-12

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