Eco – esterelização

Carlos Aguiar Gomes

Estamos a assistir, com grande e clamorosa distracção, ao colapso da nossa civilização. A decadência cai a ritmo alucinante. A mim, das loucuras que todos os dias vejo e oiço, já nada me surpreende. Sinto-me num manicómio colectivo e o meu problema é saber se serei eu que já perdi o juízo!

As últimas décadas, sobretudo no dito Ocidente (olhando à origem da palavra, não é o lugar onde o Sol morre?), têm assistido a um percurso que sistematicamente tem uma única finalidade: destruir a nossa Cultura humanista, com base na Família e nas liberdades que lhe estão associadas e que tanto custaram a obter.

O processo de auto-demolição das bases do que somos ( ou éramos?) não tem tido descanso. Entretanto vão-nos distraindo com a defesa das plantas e dos animais ou com as alterações climáticas, como se tal fossem factos que apareceram na longa história da Terra agora. Bem sei que o Homem tem o seu papel de acelerador e que só o consumismo desenfreado de que não desiste pode explicar. Somos muito pouco moderados no consumo. Somos híper-egoístas. Não somos respeitadores do normal e natural funcionamento de todos os ecossistemas… Nem do ecossistema pessoal que cada um de nós é nem dos ecossistemas familiares de onde vimos e onde devemos estar em equilíbrio homeostático, aquele que respeita melhor a identidade e funcionamento daqueles por lhe ser próprio, intrínseco.

É o nosso egoísmo que está funcionar em pleno. E… queremos continuar assim.

Um estudo recente de “ The Lancet Panetary Health” (Dez. 21) mostra que os jovens cada vez mais estão a ser atingidos pela chamada «eco-ansiedade» ou, usando um neologismo que vai “pegar”, por «Solastalgia» (Solastalgia: the distress caused by environmental change.

Australas Psychiatry. 2007; 15: S95-S98). Até na Costa do Marfim, os jovens estão em “pânico”, em «solastalgia», e não querem ter filhos por causa do… “aquecimento global”. Espantoso. Mas mais espantoso é que cada vez mais jovens mulheres se estão a esterilizar de forma irreversível para nunca serem apanhadas de surpresa(?) grávidas e, assim, contribuir para travar o famoso “aquecimento global” de que as crianças são culpadas além do stresse que causam às mães e da poluição que causam as suas fraldas.

A propósito deste “pânico” induzido recordo que o vale do nosso rio Zêzere, em U, é uma das muitas provas do grande aquecimento global quando ainda não havia homens (homens, mulheres, trans, cis e etc, etc). Quantos testemunhos do aquecimento global encontramos entre nós, no território português contemporâneo, com muitos milhões de anos! Há alguns anos fui a Pataias, junto a Alcobaça, ver e colher amostras de “calcários coralígenos” que se formaram em águas marinhas, poucos profundas, pouco energéticas e cálidas. Hoje esse território é ocupado por matas! Graças a Deus, nesse tempo, não havia humanidade a provocar o “aquecimento global”, caso contrário já não haveria ninguém na Terra e esta era um “doce” paraíso a “fazer” a sua alteração climática de forma natural e repetitiva como faz parte da dinâmica da Terra, desde a sua origem. Tristes tempos estes!

Tristes tempos estes em que a humanidade (dito assim, evita-me escrever todas as variedades da construção na moda da engenharia social) se está a odiar cada vez mais e, consequentemente, a cometer um suave “suicídio colectivo”.

Onde não cabe Deus e de onde Este foi expulso, como e onde pode caber a humanidade?

Carlos Aguiar Gomes, In DM 6.01.2022

Publicado em 2022-01-07

Notícias relacionadas

«O Estado Novo [ainda] não saiu de Portugal»

Mário Pinto, in Observador - 30 jul 2022

Se as valas comuns eram uma farsa, por que o Papa está pedindo desculpas no Canadá?

Francisco Vêneto - publicado em 26/07/22, in Aleteia

Abusos sexuais, estado de direito e “caça às bruxas”

Pedro Vaz Patto, Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz

O Estado e o catecismo da religião do género

Senhor ministro da Educação, se não quer ficar na história como o Inquisidor da propaganda de género, desbloqueie este nó górdio por si criado pois tem no Parlamento uma maioria do seu partido.

“Finalmente encontrei um cristão de verdade!”

Isabel Ricardo Pereira, In 7Margens, 6.07.2022

"Direito constitucional" ao aborto?

Jorge Bacelar Gouveia

desenvolvido por aznegocios.pt