Sem crianças, sem o seu sorriso, há futuro?

Carlos Aguiar Gomes

«…que a vida dos adultos seja iluminada,

regenerada pelas gargalhadas das crianças.

Porque a esperança está sempre

nas suas mãos» (Pierre Chaunu,

 in “La Peste Blanche”, pág.209)

Com a quebra acentuadíssima da natalidade em Portugal, desde 1982 que não há substituição de gerações, o número de crianças tornou-se um “bem” escasso. E porque não há crianças, tornamo-nos num país sem esperança, acomodado, com medo às mudanças. Preferimos o medíocre ou, até mesmo, o mau. Tornamo-nos cinzentos, cabisbaixos e “nombrilistas”. Cultivamos a efemeridade, o fugaz. Temos medo terrível do futuro. E só nos rimos com as boçalidades. Já deixamos de ser individualistas e passamos a egolatristas. Somos incapazes de contemplar a beleza de um sorriso de uma criança, puro e transparente. Luminoso. Gargalhamos com o bruto e com o boçal (vejam-se os programas de maior audiência das TV’s).

Estamos numa sociedade muito doente e em vias de extinção que ela própria provoca.

Vejamos as leis referentes ao dom da vida (que ninguém já aceita que o seja, mas que prefere chamar o “produto” de uma manipulação laboratorial ou de um cálculo em “folha Excel”). O caminho foi seguindo uma linha bem definida a que nos alheámos:

1. Começámos por separar a sexualidade humana do amor;

2. Depois a sexualidade da reprodução;

3. Alçapremamos a sexualidade ao cume do hedonismo sem consequências naturais;

4. Abolimos a paternidade separando-a da maternidade;

5. Separamos a maternidade , da concepção ao nascimento, da Mãe e “alugamos” uma geradora de bebés que ainda não é uma máquina(!) que depois são entregues aos encomendadores que perderam 9 meses de vinculação irreparáveis;

6. Legislamos no sentido anti-natural de uma criança não ter Mãe, mas dois pais, contrariando as leis da Natureza ou ao contrário: ter duas mães e não ter pai!

7. Andam por aí projectos que procuram definir como cada uma das crianças nasce, neutro(?) até decidir o que quer ser (a Teoria do Género está já no terreno da educação. Chamam-lhe mentirosamente “Educação para a Cidadania”) a comandar os programas do ensino perante o silêncio e indiferença dos pais);

8. Perante perturbações de identidade, por exemplo uma criança rapaz olhar-se ao espelho e achar que tem o pénis e o escroto a mais e que lá deveria estar uma vagina, proíbem-se as terapias que acompanhariam este distúrbio, tal como sucede com a anorexia nervosa, objecto de grandes preocupações e com tratamentos aprovados.

Proíbem-se os pais de aconselhar e guiar os seus filhos menores no encaminhamento para o tratamento desta disforia que não aceita a sua natureza biológica….

Promove-se o aborto sem pejo e chega-se a proibir que se reze pelas mães, tantas vezes desesperadas e que não têm quem as aconselhe com serenidade e não as induza, como única solução para o aborto;

A fundação de Centros de Apoio à Vida foram postos de lado e dificultada a sua existência.

O sorriso das crianças, esperança do futuro, escasseia e está muito raro. Não nascem crianças e no caso das que nascem, os pais (muitos pais) preferem actividades de “esbeltizaçao” do corpo a gastar alguns segundos a contemplar o sorriso de um filho.

E como é belo o sorriso de uma criança! Puro. Desinteressado. Imaculado. Como uma flor que se abre para nos alegrar com a sua cor, aroma e forma.

Como escreveu em 1976, Pierre Chaunu, em “ La Peste Blanche”: «… que a vida dos adultos seja iluminada, regenerada pelas gargalhadas das crianças. Porque a esperança está sempre nas suas mãos».

As crianças são o futuro e se não as houver não há futuro!

Carlos Aguiar Gomes, In DM 3.02.2022

Publicado em 2022-02-03

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