Regresso da visita pascal?

Vamos lá sinodalizar?!

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) divulgou as novas orientações para o culto e atividades pastorais, prevendo, entre outras medidas, a possibilidade de se realizar a tradicional Visita Pascal às habitações dos fiéis, suspensa desde 2020.

Esta era uma medida aguar­dada por muitas paróquias e muitos fiéis, uma vez que as visitas pascais, com particular relevo no Norte do país, são uma prática enraizada na população, e também uma importante fonte de rendimento para muitas paróquias, que aproveitam a visita para a recolha da côngrua, essencial para a sobrevivência económica dos muitas párocos.

A nota da CEP refere ain­­­da que, “no rito de adora­ção da cruz na Sexta-feira Santa, deve omitir-se o beijo na cruz, substituindo-o pela genuflexão ou inclinação” e que, na visita pascal, deve também omitir-se o “beijo à cruz” e a aspersão da água benta.

Depois de algumas observações feitas na última palestra do clero de Vieira do Minho sobre as directivas da Conferência Episcopal para as celebrações pascais, alguns párocos já começaram a reunir com os seus Conselhos Pastorais para preparar a Visita Pascal 2022. Como escreveu o Padre Amaro Gon­çalo na Voz Portucalense de 23 de Fevereiro, está na hora de “sinodalizar­mos as nossas opções pastorais, a propósito da Visita Pascal de 2022, que se avi­zinha, para ca­mi­nhar­mos juntos e não cada um para seu lado…
É tempo de nos ouvirmos, de conversarmos, de partilharmos ideias e sugestões, para dis­cer­­­nirmos jun­tos as me­­lho­res es­co­lhas. Faça­mo-lo no âm­bito dos nossos conselhos pastorais e vicariais, no diálogo franco com as pessoas da comunidade e mesmo com aquelas que nos parecem mais distantes e têm uma palavra a dizer”.

Enquanto não chegam no­vas directivas da Arquidio­cese de Braga, deixamos aqui algumas pistas aponta­das por aquele sacerdote para um “caminho que poderemos percorrer juntos:

1. No contexto de uma pandemia, que não nos largará de vez, mas que dará lugar a uma endemia, com menos restrições no âmbito da convivialidade humana, seria ainda precoce, este ano, fazer uma visita pascal «casa a casa». Porquê? Os movimentos de entrada e de saída, de proximidade e de contactos entre pessoas de proveniências diversas, podiam potenciar focos de con­tágio e de propagação do vírus que a ninguém interessa. Estaremos de acordo quanto a isto?


2. Os que, porventura, defendem, já para este ano, uma visita pascal, casa a ca­sa, no estilo tradicional, an­terior à pandemia, como sugerem o controle destes ris­cos de contágio, provocados por grupos de pessoas que andam de casa em ca­sa? Não estarão as nossas famílias «de pé atrás» relativamente a uma visita pas­cal, casa a casa? Qual seria a sua recetividade? Não será uma temeridade esta mobilidade?


3. A veneração à Cruz Pascal com um beijo, seja na rua, seja dentro de casa, é uma prática a evitar, por razões sanitárias óbvias. Mas concordamos todos com isto? Não se poderia pensar num gesto diferente de veneração à Cruz: uma in­clinação, a oferta de uma flor, a recitação de uma ora­­ção pascal ou de uma oração de bênção da cruz etc?!


4.Eventualmente po­deria ad­mitir-se o beijo à Cruz, – di­rão alguns – desde que esta Cruz (beija­da dentro ou fora de ca­sa) fosse única e pró­pria em ca­da família?! Mas isso não poria em causa o sinal comum de uma cruz paroquial pascal? Não seria, mesmo no ca­so de se beijar uma cruz fa­miliar, um gesto de riscos in­controláveis, tendo em conta que se reúnem em fa­mílias, neste dia, pessoas não coabitantes? Que pen­sa­mos disto? O gesto do bei­jo da Cruz, na visita pascal, não será uma prática a rever, desde agora e para sempre?

5. Para dar alguns passos, num tempo que já é bem diferente daquele que vi­vemos na Páscoa de 2020 e 2021, não se poderia pen­sar numa visita pascal, que fosse uma espécie de «arruada» pelas várias ruas e lugares da Paróquia, mesmo sem entrar nas casas dos paroquianos?


6. Não se poderiam orga­nizar percursos de visita pas­cal, por ruas e lugares da paróquia, com o toque das campainhas, convocando as pessoas a descerem e a saírem à rua, a virem à por­ta de casa, a reunirem-se em pequenos grupos, para publicamente saudar e rezar um pouco, em volta da Cruz Pascal e paroquial?

7. Não se poderia, em al­guns casos, sinalizar previamente alguns lugares ou zo­nas da Paróquia, onde a equipa da visita pascal parasse para aí fazer uma oração pascal, ou uma oração de bênção e de veneração à Cruz, com os vizinhos dessa zona?!

8. Sendo que os contextos pastorais são muito diversifi­cados, como poderíamos adotar práticas que manifestassem o nosso propósito de «caminhar juntos» também na retoma criativa da Visita Pascal?

O Jornal de Vieira: 2022-03-11

Publicado em 2022-03-14

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