O genocídio arménio

Carlos Aguiar Gomes

O século XX ficará na história da humanidade como um século de violência extremas e de crueldades sem nome. Estamos habituados, pelo matraquear constante dos media, que o único genocídio, que foi horrível, foi perpetrado pelos nazis contra o povo judeu. É uma verdade indesmentível que os nazis foram facínoras contra os judeus, mas não só, é bom não esquecer. Mas houve outros que o “politicamente correcto” não deixa lembrar: os genocídios comunistas contra os polacos (lembrar Katyn!), contra os ucranianos (lembrar o “holomodor”), as matanças, aos milhões, de chineses por Mao (idolatrado por tantos dos nossos políticos), os massacres contra o povo cambojano (como esquecer Pol Pot?) e tantos outros que tingiram de sangue inocente todo o século XX.

Entre os genocídios levados a cabo no século passado, é bom não esquecer o primeiro. Crê-se que a 24 de Abril de 1915, o Império Otomano, mais ou menos a actual Turquia, desencadeou um processo horrendo de massacre contra o povo arménio, o mesmo que agora está, também a ser flagelado por turcos, entre outros, por causa de um Enclave que o Azerbeijão anexou, obrigando milhares e arménios a fugir e a deixar os seus bens. O genocídio arménio foi violentíssimo e foi levado a cabo com várias estratégias de horror e massacre: incêndios generalizados dos bens arménios; execuções sumárias de intelectuais e líderes nacionais; uso generalizado de agentes bioquímicos e biológicos para matar pessoas indefesas, inclusive de crianças; injecções de super doses de morfina em crianças; inoculação premeditada de agentes do tifo; deportações forçadas de arménios; destruição dos templos; marchas forçadas, à fome e à sede; etc Tudo servia para eliminar o povo arménio. Foi o primeiro genocídio do século XX e que, por exemplo, o Governo Turco se recusa a reconhecer, apesar de muitas organizações internacionais já terem (tardiamente) reconhecido o «GENOCÍDIO ARMÉNIO» como um verdadeiro genocídio.

Recordo que a Arménia é cristã e foi a primeira nação a ser oficialmente cristã! E aqui reside o seu “crime” face à “tolerância e misericórdia” dos turcos e azeris muçulmanos!

Neste momento, a Arménia, sofre brutalmente. E o Ocidente (mas, afinal, o que é isso de Ocidente?) cala-se e se alguém dá o seu apoio ao povo mártir da Arménia, não passa de manifestação… da “extrema direita”!

O povo arménio deveria sentir a nossa proximidade activa. Onde, no nosso Parlamento, alguém se levantou para defender o povo espoliado de uma parte do seu território onde muitos cristãos tiveram (e têm) de fugir, muitos deles levando, até, os restos mortais dos seus familiares para não serem profanados e queimam as casas para não serem úteis aos invasores. Os arménios são vítimas da perseguição por parte de muçulmanos apoiados pela Rússia e pela Turquia de Erdogan.

Os tempos, estes, vão muito difíceis para este povo mártir, aqui às portas da Europa. É espantosa a nossa hipocrisia!

“O pior a temer da ditadura racista e panturca (…) que recentemente comparou os arménios a cães” ( Le Figaro, 16.XI.20) é o seu extermínio, num novo genocídio face a complacência das chamadas democracias europeias. A ocupação e destruição de inúmeros templos cristãos tem sido sistemática depois do acordo de paz entre arménios e azeris.

Tristes tempos, estes. Não temos a obrigação de nos mostrarmos solidários com este povo?

 

Carlos Aguiar Gomes, In DM 26.11.2020

Publicado em 2020-11-28

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