Ainda bem que não sou americano… …Mas, como português fico tranquilo?

Carlos Aguiar Gomes

As últimas eleições presidenciais norte-americanas levaram-me a pensar: “E se eu fosse americano, em quem votaria?”. Não sei. Não sei mesmo se votaria, o que vai contra os meus princípios de cidadão partícipe na res publica. Desde que posso exercer o meu direito ao voto, como português que nunca deixar de votar, muitas vezes… com venda, tal a minha desconfiança nos elegíveis.

Quem me conhece sabe que não sofro de partidarite e não tenho grande confiança nos seus líderes actuais ou passados e muito menos na sua praxis pós-eleitoral em que primam pela traição, por regra, às promessas ou, pior, às omissões que esconderam deliberadamente aos eleitores. Estes têm o direito de ser respeitados e, por isso, os programas eleitorais devem ser claros e conter o que os eleitos irão cumprir. A mim, como eleitor interessam-me as grandes causas: o DIREITO À VIDA (da concepção à morte natural), a FAMÍLIA como comunidade natural e anterior ao Estado e muito mais anterior aos Partidos, e o DIREITO DE OS PAIS TEREM LIBERDADE DE EDUCAR OS FILHOS de acordo com os seus valores e em igualdade com todos os pais.

Voltando aos EUA. A última campanha e período pós-eleições seria no mínimo hilariante e…. Muito pior: preocupante. Mas a Democracia tem disto.

Trump, protestante, defendia princípios em que acredito, mas faltava-lhe bom senso, essencial para a chefia de um Estado. Ganhou Joe Biden e a sua sócia ideológica Kamala bastante mais extremista do que ele. Biden diz-se católico. Eu sou católico. Com os princípios que defende publicamente e atitudes que tem tomado, ao arrepio da Doutrina Social da Igreja sobre a Vida e a Família, não teria o meu voto. Não poderia, em consciência, dar o meu voto a um defensor de princípios e práticas que agridem e violam o que considero essenciais: o sujeito é favorável , por exemplo, ao aborto, e o seu Partido Democrático advoga ainda outras posições delirantes e perigosas contra a natureza. Dou um exemplo, a líder do Câmara dos Representantes, democrata, de nome nosso conhecido, Nancy Pelosi, tenciona acabar com termos como Pai, Mãe, Filho e filha, Esposo, Esposa, sogro e sogra genro e nora, tio e tia, primo e prima, padrasto e madrasta, neto e neta e, imagine-se o delírio ideológico, apagar a palavra marinheiro substituindo-a por “gente do mar” e outras palavras – conceitos que “causam mal-estar” aos polícias do pensamento único dominante! Tudo isto seria delirante e de fazer rir se não fosse muito grave.

Todos sabem que Nancy Pelosi foi a introdutora na Câmara dos Representantes de uma lei altamente polémica e gravemente castradora da liberdade de pensamento, a chamada “Lei da Igualdade” que prevê a penalização dos americanos que defendam o matrimónio, obviamente heterossexual, ou aprovem o sexo biológico contra o que defende a Teoria do Género! Joe Biden e a sócia Kamala estão de acordo. Poderia votar neles? Não!

Em quem votaria? Não sei. Mas em Biden e a sua sucessora, não. Conscientemente, não sei se iria votar. Admiro-me, para não escrever escandalizo-me, que ainda não havia resultados definitivos e já Biden era felicitado, por Chefes de Estado e até pelo Papa! Tinha ganho a equipa da Administração americana mais “inclusiva” da história, que se propunha e propõe destruir a História da Natureza Humana!

Imagine o leitor que um Pastor americano, democrata, cioso da igualdade, terminou o Ofício dizendo: “Amen e Awoman” ( N. A. : deveria dizer Awomen) ( cf. Expresso on-line, 4.I 21) ! A loucura delirante-furiosa está à solta.

Que raio de tempo é este? Nos EUA, no mundo e também em Portugal…

E já gora, como vão os nossos candidatos? Que pensam, por exemplo, sobre a eutanásia, cuja lei lhes vai cair na secretária? Venha o Diabo e escolha! Irei votar dia 24 de Janeiro, se Deus quiser. Em quem não voto já sei.

Carlos Aguiar Gomes, In DM 07.01.2021


Publicado em 2021-01-07

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