
Pe. João António Pinheiro Teixeira
A felicidade aumenta a produtividade
Muita
coisa tem vindo a mudar no que à morte e seus contextos diz respeito.
Antes de
mais, vivemos por mais tempo nesta terra. A longevidade é acordeão sempre a
dilatar-se. O desafio, hoje, para muita gente, não é viver por muitos anos, mas
conseguir viver bem os muitos anos que a vida oferece.
Temos
vindo a assistir (uso uma expressão feliz de José Nuno Silva) à
“deslugarização” da morte: das mãos dadas a um familiar próximo, em casa,
rodeado de carinhos e laços afetivos, no ambiente onde agimos, criamos amizades
e vivemos, passamos para o hospital, para a clínica, ou para as instituições de
idosos. A casa familiar já não abraça os que morrem, aliás, já nem os acolhe
depois de mortos, que a Capela Mortuária há muito se impôs como lugar para a
última passagem.
“A vida
moderna [comenta Vítor Coutinho], traz consigo a solidão dos moribundos. […] O
medo de solidão […], nas sociedades ocidentais e urbanas, é acentuado pelo
facto de termos tornado o morrer demasiado esterilizado, frio, mecanizado,
impessoal”.
A morte,
como assunto e como evento, tornou-se tabu para as crianças; está ausente,
salvo honrosas exceções, da reflexão entre adultos. É um “não-assunto”, a menos
que se trate de filmes de ação, serial killer’s, notícias de tragédias… Sempre
longe, contudo, quer falemos de ficção ou de drama real.
Reforçando
quanto acima mencionado, o morrer é cada vez mais uma questão médica; perdeu
naturalidade. Ou seja, além de ter trocado de espaços, tem vindo a trocar de
mãos, não já as de casa, mas as dos cuidadores. Essa naturalidade fica ainda
mais ameaçada, quando os condimentos são os da distanásia (prolongamento
artificial, forçado, medicamentoso… da vida), ou os da eutanásia (acelerar o
processo, normalmente com base em dois argumentos, misturados quase sempre:
doença terminal, irrecuperável; fugir a sofrimentos quando, afinal, a esperança
já se foi).
Há quem
diga (Artur Manso) que, “na atualidade, até se exclui da morte aquele que está
a morrer”. O que não é difícil: os medicamentos facilmente conseguem a
despersonalização do morrer, tornam cada vez mais difícil que o sujeito seja
sujeito da sua própria morte. E que dizer dos cemitérios dormitórios)?! – Hoje
ainda são importantes, no plano administrativo, cultural, arquitetónico,
urbanístico e paisagístico, na perspetiva da higiene e saúde públicas, na vertente
social… E com uma marca profunda no que diz respeito à dimensão religiosa
(bastará pensar-se no dia de Todos os Santos – feriado – ou no dia dos fiéis
defuntos, ou em todos os dias em que alguém procura na campa um falecido
gravado na alma).
Mas, no futuro,
como serão os cemitérios sem gente disposta a cuidar das campas?! Mais e
melhor: quando todos se quiserem reduzidos a cinzas?!
Bem, o
mundo vai mudando (e não esgotamos a análise…). Tem mudado muito. Continuará a
mudar.
Mas há
coisas que não mudam: com mais ou menos anos, morreremos; às mãos dos técnicos
de saúde e/ou de instituições, ou no calor do larário (dos deuses do lar);
empurrados, retardados, ou de forma natural; querendo ou não falar sobre o
assunto; donos ou não do nosso próprio morrer.
Sem mais
delongas – que o tema vai avançado – que Deus (chegada a hora) nos acolha.
Acolha os nossos que já partiram. Acolha quantos nesta vida amámos. Acolha
quantos precisam das nossas orações.
Que a Mãe
a todos abra os braços. Terminadas as canseiras, preocupações, dores e lutas
desta vida, seja de festa eterna a vida outra, para a qual, mais cedo ou mais
tarde, seremos convocados.
E aí
possamos ser sujeitos do nosso viver, em júbilo, mergulhados apenas e só no
amor dos irmãos, no amor da Mãe e no amor infinito de Deus.
José
Paulo Abreu (In jornal de Vieira, 1/1172022)
2022-10-27

A felicidade aumenta a produtividade

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