
Pe. João António Pinheiro Teixeira
A felicidade aumenta a produtividade
A morte do Papa Emérito Bento XVI, Joseph
Ratzinger, no último dia de um ano, em tudo, desagradabilíssimo, atingiu-me
pessoalmente. Devo a Ratzinger, à sua obra filosófica e teológica, e,
sobretudo, ao seu magistério enquanto líder da Igreja Católica, a renovação
espiritual da minha fé. Um pouco à maneira do italiano Gianni Vatimo, vacilei
um pouco na minha fé a dada altura do caminho - talvez a do famoso meio dele,
de Dante - e tornei-me naquilo que este filósofo designou, com felicidade, um
"mezzo credente", na linguagem popular, nossa, um crente de
meia-dose. Ora Ratzinger ensina-nos que não existem crentes de meia-dose. Desde
cedo, aquele que pertenceu ao grupo dos teólogos e homens da Igreja, que
reagiram a uma hipotética deriva "conservadora" do Concílio Vaticano
II, percebeu duas coisas fundamentais a que o posterior cardeal de Munique,
prefeito para a Congregação da Fé e, finalmente Papa consagraria o essencial da
sua reflexão exemplar. A primeira, que a Igreja não é apenas mais um monumento
estático do proselitismo contemporâneo. A Igreja não faz proselitismo e deve
combater o relativismo moral e material do contemporâneo estéril. Depois, não
se cansou de afirmar a importância de a Igreja habituar-se a viver em minoria.
A Igreja, a católica, evidentemente, por natureza e pela semântica, é um todo
de homens e mulheres, leigos ou religiosos, unidos espiritualmente em Cristo.
Não representam uma "multa turba". Essa é a que O negou, apedrejou e crucificou.
Seguir Cristo, e trazer Cristo em permanência nos nossos corações
tendencialmente frívolos e vazios, é uma obrigação natural, permanente e
silenciosa, mesmo quando em comunhão. Comunhão quer dizer partilha do mistério
do nascimento, morte e ressurreição de Cristo. Algo que não tem de ser
"físico", mas que dá sentido à vida. A vida realmente
"vivida" é o significado primeiro e último da Cruz. Não entender a
Cruz é não entender nada de nada do que se anda por cá a fazer. "Pega na
tua Cruz e segue-me", diz o Evangelho. Julgo que é o melhor epitáfio para
Joseph Ratzinger. No seu "testamento espiritual", que o Vaticano
divulgou após a sua morte, Bento XVI, logo em 2006, deixou claro que
"Jesus Cristo é, na verdade, o caminho, a verdade e a vida - e a Igreja,
com todas as suas insuficiências, é verdadeiramente o Seu corpo". Nós
somos o Seu corpo. E "a esperança de Deus é maior que o meu
fracasso". Que o nosso fracasso. O Papa Emérito, de quem nos despedimos
fisicamente esta semana, foi um "humilde trabalhador na vinha do
Senhor", desse Deus que "acende fogueiras na noite do Mundo para
convidar os homens a reconhecer em Jesus o "sinal" da Sua presença
salvífica e libertadora".
João Gonçalves. In Jornal de Notícias, 02.01.2023

A felicidade aumenta a produtividade

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