
Pe. João António Pinheiro Teixeira
A felicidade aumenta a produtividade
“Depois de 30 anos de serviço, deixo minha
atividade como pároco e meu serviço ativo na diocese de Münster. Pedi demissão
e abandonei o campo que configurou, durante décadas, meus dias, minha vida,
minha pessoa”.
O padre Thomas Frings foi
pároco da cidade de Münster, Alemanha. Agora, decidiu deixar a paróquia e
passar um tempo de reflexão em um mosteiro. Está desanimado pelo que considera
um “esforço inútil” de uma “pastoral esclerosada e inadequada”.
Depois de
sua decisão, escreveu o texto Correcciones de ruta! (“Correções
de rota!”), que divulgou entre os fiéis, e o livro “Così non posso più fare il parroco”,
que esclarece os motivos de sua decisão. O livro está entre os mais vendidos da
Alemanha.
Padre
Thomas faz uma lista de coisas que não funcionam na Igreja alemã, mas que podem
se referir a qualquer outra Igreja do mundo. São problemas que afastam as
pessoas e enfraquecem a instituição eclesiástica, deixando-a estranha aos olhos
de muitas pessoas:
1) O erro de dessacralizar as igrejas
O sacerdote
acredita que é um grande erro dessacralizar lugares de cultos históricos aos
quais as comunidades se sentem vinculadas.
“Elas são
pontos de referência e lugares de memória, não se pode subvalorizar as igrejas,
nem no campo, nem na cidade” – adverte o padre em seu livro. “Por exemplo, na
ilha de Mull, na Escócia, há uma aldeia de pescadores encantadora que tem três
igrejas. A primeira se transformou em um restaurante, a segunda, em
supermercado que vende pizza e papel higiênico. Somente a terceira continua
sendo a casa de Deus, embora fique fechada de segunda a sábado”, diz o padre.
“Quantas
igrejas teremos que dessacralizar para chegar o momento em que as pessoas já
não relacionem mais o edifício com a imagem da casa de Deus?”, provoca o
sacerdote.
2) Poucas vocações, muita confusão
Segundo
Thomas Frings, uma das figuras que gera mais desconfiança é a do seminarista.
Ser sacerdote parece o mesmo que pertencer a empresa complicada, quase
titânica. Seja pelos vínculos tão duros, como o celibato e a promessa de obediência,
seja porque não é fácil definir o próprio futuro num contexto em que há falta
de sacerdotes e de fé.
“Em 1980,
comecei a estudar Teologia. Em Münster, éramos 40 seminaristas naquele
semestre. Éramos somente a metade em relação a 25 anos atrás. Mas as
perspectivas eram boas: 3 postos de capelão em 4 anos, depois pároco. Nas
estruturas da época, era algo factível. Quem começa hoje a estudar Teologia,
provavelmente já não encontrará esse caminho. Há 30 anos, a estima por esta
vocação ainda era muito alta. Não se escolhia ser padre por isso – ao menos
normalmente. Mas a perda de consideração certamente não ajuda a estar motivado
para isso. (…) Não somos uma empresa. Mas alguém aconselharia um jovem a fazer
parte de uma companhia com estas perspectivas e com celibato e promessa de
obediência?”, pergunta o padre.
3) Chega de discussões inférteis nos conselhos paroquiais
Outro erro
que deixa a Igreja pouco atrativa são as discussões que frequentemente se
repetem nos órgãos paroquiais.
“Que
impressão teria um não crente ou uma pessoa de outra religião que participasse
das discussões dos conselhos paroquiais, em que são negociados os lugares e
horários de nossas celebrações? Quando se negocia meia hora antes ou mais tarde
para que dê tempo de fazermos o trabalho no jardim, dormir até mais tarde ou
assistir a uma partida de futebol? Quando se falam de costumes e comidas, ao
invés de discutir o significado da morte e ressurreição de Jesus? (…) Como
podem brotar da Missa a luz e a alegria, esperança e convicção, quando ela já
não é tão importante quanto um café da manhã mais tarde ou um jogo entre o
Colonia e o Bayern
de Munich?”, pergunta-se o padre.
4) Mudar sim, mas sem ferir sentimentos
Uma
reflexão que o sacerdote alemão repete frequentemente em seu livro é que, hoje,
muitos padres não entendem o contexto em que se encontram. Com isso, a
distância com os fiéis aumenta.
“Às vezes,
participo de celebrações litúrgicas e, ao final delas, me pergunto se eu
continuaria indo àquela igreja. Ao final da Missa, me sinto verdadeiramente
‘despedido’, no sentido literal da palavra. Às vezes, mesmo como fiel, saio da
celebração eucarística e não sei se deveria me sentir zangado, triste ou até
afetado. Nem sempre isso depende do celebrante ou da homilia; geralmente
depende do quadro em seu conjunto. Se, por exemplo, querem mudar os costumes e
tradições, antes de fazer isso é preciso levar em conta a sensibilidade dos
fiéis. (…) Um companheiro contou, visivelmente emocionado, que lhe fizeram uma
amável advertência depois de sua primeira Missa na paróquia. Um homem se
aproximou dele e disse: ‘Padre, em nossa paróquia é preciso distribuir a
comunhão mais devagar. Nós levamos muito tempo para comungar’. A advertência e
sua formulação diziam muito da atmosfera que reinava na celebração eucarística
e na relação existente entre as pessoas da comunidade. Além disso, aquela
advertência caiu em um terreno disposto a recebê-la”, esclarece o Padre Thomas.
5) A promessa batismal não cumprida
“Prometemos
educar nosso filho na fé”. Quem já participou de um batizado conhece esta
frase. E muitos já a pronunciaram, de forma mais ou menos consciente.
Hoje, a
crise da fé, sobretudo entre os mais jovens, deve-se muito à distância das
famílias em relação à Igreja, que se recuaram da promessa feita no batismo.
“Encontrei-me,
certa vez, com um casal que tinha deixado a Igreja e queria batizar o filho
somente para que ele pudesse frequentar, depois, uma escola diocesana. Eu não
batizei a criança. Mas os pais encontraram outro padre que, talvez, tenha tido
outras boas razões para fazer o batismo”, lamenta o padre.
O sacerdote
pensa que uma solução poderia ser a “introdução de um catecumenato mais longo”
para pais, padrinhos e madrinhas dos batizandos. “Seria, provavelmente, um
caminho, mas só funcionará se todas as paróquias seguirem-no”.
6) Primeira Comunhão? Um show!
Sobre os
problemas da cerimônia da Primeira Comunhão, Padre Thomas pega pesado. Hoje, é
cada vez mais difícil transmitir às crianças a importância do primeiro
“encontro” com o corpo de Cristo.
“Reina em
todas as partes um grande nervosismo. O salão é arejado, limpo e enfeitado. Os
bancos são reservados e o programa com o desenvolvimento da cerimônia é
impresso. Várias bandeirinhas são colocadas no caminho da entrada e na fachada
da igreja. Depois, chegam eles, os pequenos protagonistas, por quem se gastam
tanto tempo e dinheiro. Eles vão vestidos como se fossem a um antigo e
prestigioso Gran Hotel, com roupas e adornos de pequenos adultos”, diz um
trecho do livro.
À luz
dessas experiências, o Padre Thomas propõe outro modelo de preparação para a
comunhão: em uma hora as crianças receberiam a explicação sobre a celebração
eucarística, em outra momento ensaiariam a celebração e, no domingo, elas já
participariam da celebração. No final, todos seriam convidados a seguir a
catequese como preparação posterior (não anterior, como acontece hoje), em
forma de grupos, com reuniões e participação na Eucaristia do domingo.
7) Compreensão e ajuda aos casais
O casamento
pode ser o momento em que os noivos voltam a encontrar a fé. E para que comecem
a viver uma nova vida cristã depois de um período de distanciamento espiritual.
Mas os
padres, geralmente, não dão aos noivos a oportunidade de conhecer a fundo o
valor do que eles vão celebrar. Para fazer isso, é preciso compreender a
história dos que vão receber o sacramento.
“Um dia,
veio até mim um jovem casal que havia redescoberto a fé. Eles me contaram isso
e também disseram que os membros de suas famílias poderiam participar do
casamento, mas não de uma celebração eucarística. Para o casal, era muito
importante que a Comunhão fosse dada a todos, mas seus convidados não saberiam
o que fazer com ela. No entanto, eles não queriam renunciar à Eucaristia. Por
outro lado, não poderiam excluir o resto da família da celebração. A solução
foi simples. O matrimônio foi celebrado com a Liturgia da Palavra e, depois, os
recém-casados receberam a comunhão em uma Missa, mais tarde”, exemplificou o
autor.
8) Mau exemplo
O mau
exemplo que os responsáveis pelas instituições dão no que diz respeito ao
estilo de vida e à ostentação afasta as pessoas da Igreja. Escreve o Padre
Thomas: “antes de administrar o sacramento da confirmação, um bispo quis
dialogar em tom amistoso com os confirmandos. Ele pediu para que os crismandos
perguntassem tudo o que eles queriam saber sobre um bispo. Ele lhes disse: ‘Sou
um de vocês, podem perguntar tudo’. Então, um deles respondeu: ‘Senhor bispo,
enquanto o senhor se vestir assim e andar nesse carro com motorista, o senhor
não será um de nós’”.
9) Um verdadeiro “centro de serviços” para os fiéis e para
os demais
“Se eu vejo
a igreja como algo que tenho na minha frente, então posso desejar algo dela,
exatamente como o cliente em um restaurante, onde ele é rei”, explica o padre
alemão.
“Pode-se
argumentar que, na Igreja, fala-se com amor às pessoas e que elas não podem vir
com exigências. Efetivamente, isso não deveria acontecer nunca em relação aos
sacramentos, mas entre os dois extremos – o pedido e a exigência – há um
caminho longo. E quem se aproxima deveria ser bem-vindo”, conclui Thomas
Frings.
In Aleteia - Gelsomino Del Guercio - publicado em 11/04/18

A felicidade aumenta a produtividade

Carmen Garcia

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