
Pe. João António Pinheiro Teixeira
A felicidade aumenta a produtividade
Aprecio muito o silêncio.
Permite-me concentrar-me. “Achar-me” neste caos em que se tornou o mundo. No
silêncio, “oiço-me”. Por isso, os trabalhos mais exigentes que fiz em toda a
minha longa vida, procurei, sempre, fazê-los no silêncio da manhã, mesmo quando
era jovem estudante.
Aprecio, imenso, os
silêncios que me “falam” na Natureza. Quantas vezes ricos de intermitências do
chilreio das aves ou o sussurrar do vento passando ligeiro entre as folhas.
… Mas sinto-me
desconfortável com os silêncios da cobardia. Dos cobardes que se calam,
rumorejando por dentro pragas e anátemas, mas que são incapazes de quebrar o
seu silêncio!
Compreendo mal o silêncio
dos que têm medo de serem perseguidos, quando deveriam expressar o seu
pensamento, mas …. Calam-se.
Custa-me a aceitar, e muito,
o silêncio dos calculistas. “Fecham-se” para, por calculismo puro, ninguém
saber como pensam e, assim, se irem arranjando.
Não aceito, e revolta-me, o
silêncio dos que têm a obrigação de falar, de gritar, de berrar aos quatro
ventos, a Verdade e se calam para não serem “politicamente correctos” e terem a
sua “agenda” em consonância com a “agenda” política em voga.
Vivemos um momento na
História humana, em que há silêncios intoleráveis. Silêncios que se fazem para
não mostrar solidariedade para com alguém. Silêncio, metido em gavetas, de
normas, leis e outras directrizes, para que se não apliquem.
Não sou muito dado a
teorias. Sou de acção e nunca tive medo de quebrar os silêncios que me acomodavam,
mas que feriam a minha consciência. E não tenho emenda, nem me arrependo.
Continuo a não fazer muitos silêncios quando devo quebrá-los. Recordo, a
propósito, o que me dizia o meu querido sogro:” O Carlos Alberto, não deveria
expor-se tanto!”. Não nunca tive medo de dizer o que penso.
Querem alguns exemplos de
silêncios que não compreendo? Aqui vão, da minha vida de cristão comprometido
na vida da minha Igreja desde há muitas e muitas décadas: Que silêncio se fez e
faz sobre o “CREDO DO POVO DE DEUS “de Paulo VI, cujo 50º aniversário passou
completamente silenciado, apesar de ser de uma actualidade gritante. Do mesmo
Papa, meteram em masmorras de silêncio sepulcral o Documento sobre Música
Litúrgica, o “falecido” “JUBILATE DEO”. E saltando para Bento XVI, que boicote
silencioso, activo e intolerante, se faz e fez sobre o Motu Próprio SUMMORUM
PONTIFUCUM. Outros silêncios? Não faltam, como o silêncio que gritou na minha
alma quando li que há padres, católicos, que escrevem em tribunas públicas de
nomeada verdadeiras heresias e sobre as quais não vi, nem li um único
comentário a corrigir tais barbaridades. Estes silêncios incomodam-me. Muito.
Revoltam-me!
Pedro Mexia, no seu artigo
semanal do Suplemento do Expresso, de 20 de Junho passado, escreveu não sobre o
silêncio, mas sobre alguns silêncios. Transcrevo para ser fiel ao autor: “…
A Igreja tem hoje um
discurso religioso privado e um discurso publico laico, mas não tem um discurso
público religioso. Não tardará muito a que muitos católicos se inspirem no
cineasta Nanni Moretti e peçam aos padre e aos bispos: «Digam qualquer coisa
católica»
Sim, estou de acordo com
Pedro Mexia na frase que cita, não sendo dele, mas que, me parece, assume:
precisamos de quebrar o muro silencioso da falta de um discurso público
religioso, fora das agendas políticas, mas tão somente, com a única agenda que
não passará: a de Jesus Cristo. É uma agenda incómoda, mas o Mestre nunca foi
acomodado nem pautou o ser agir e falar pelas agendas políticas da Sua época.
Para quem O quis ouvir, falou dos pecados todos e não só dos mais “toleráveis”
ou das Bem-aventuranças. E disse um frase politicamente incorrecta, mas que
hoje deveria ser proclamada a “tempo e a contra-tempo”: “ Eu sou o Caminho, a
Verdade e a Vida”. Estes artigos definidos (o e a ) não podem ser silenciados
ou reduzidos a uns indefinidos UM E UMA!
Há silêncios que estiolam a
vida e a matam. Há silêncio mortíferos.
Carlos Aguiar Gomes, In DM 09.07.2020

A felicidade aumenta a produtividade

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