
Pe. João António Pinheiro Teixeira
A felicidade aumenta a produtividade
O Parlamento acaba de
aprovar uma lei que legaliza a morte medicamente assistida a pedido da vítima.
Votaram a favor PS (menos 9 deputados), 14 deputados do PSD (incluindo o líder
Rui Rio), BE, PEV, PAN, Iniciativa Liberal e duas deputadas não inscritas:
Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira. Votaram contra PCP, CDS, Chega!, 9
deputados do PS e 55 deputados do PSD. Preto no branco: o Parlamento aprovou
uma lei que jamais deixará de ser polémica, pois não houve um debate público
sério sobre questão tão melindrosa, nem jamais deixará de ser fraturante na
esfera do sentimento moral de uma percentagem muito grande de portugueses.
Malgrado, os deputados não
podiam ter escolhido pior momento para aprovar uma lei que legaliza o suicídio
assistido, quando Portugal luta desesperadamente contra a pandemia do
sars-cov-2, que está a provocar números alarmantes de mortes e infeções, e
quando milhares de famílias choram a perda dos seus entes queridos. O BE,
enquanto partido legalmente constituído, tem o direito de propor ao Parlamento
as iniciativas legislativas que se enquadrem no âmbito do seu manifesto
político, como é o caso da eutanásia, tal como os partidos e deputados que
aprovaram a referida lei têm o direito de apoiarem um projeto de lei de outro
partido. Concordemos ou não, são estas as regras do jogo político democrático.
Mas, face ao estado de exceção sanitária e ao sofrimento psicológico que todos
vivemos, não poderia este processo legislativo ter sido reagendado para momento
mais oportuno?
Não só esta iniciativa
legislativa me pareceu mal conduzida, como me pareceu errado que o Parlamento
tenha chumbado a proposta de referendo à eutanásia, quando ela foi submetida a
votação no dia 23 de outubro de 2020. Nessa altura, votaram contra a proposta
PS, BE, PCP, PEV, PAN, 9 deputados do PSD (incluindo o seu líder) e as duas
deputadas não inscritas: Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira. Votaram a
favor CDS, PSD (menos 9 deputados) e IL, sendo que o deputado do Chega! estava
nos Açores em campanha. Com efeito, os portugueses deviam ter sido ouvidos numa
matéria de tão grande impacto consciencial, porque uma nação não é só
constituída por políticos! Na verdade, uma questão que levanta tantos problemas
éticos devia ser alvo de um profundo esclarecimento público, afim de que todo o
cidadão formasse a sua opinião de modo livre e consciente. Duvido que no
Portugal profundo, no Portugal dos pobres e dos abandonados, todos saibam o que
é a eutanásia? Será que os deputados têm medo do eleitorado português? E podem
eles representarem a sua consciência e não a consciência dos portugueses? Com
esta lei não cavaram mais fundo o fosso entre cidadão e político? Não poderia o
Parlamento, em vez de legalizar a eutanásia, aprovar um maior investimento na
rede de cuidados paliativos?
Se a lei vier a ser
executada pelo Governo, qualquer pessoa terá o direito de pedir a morte
antecipada aos hospitais do SNS, e nesse caso será mais um serviço custeado
pelo erário público, quando Portugal gasta milhões de euros no combate à pior
pandemia que já enfrentou nos tempos modernos. Fora do quadro financeiro – já
de si preocupante porque enquanto o Estado for deficitário jamais teremos alívio
na sobrecarga dos impostos –, os deputados deviam saber que com esta lei os
médicos, enfermeiros e todo o pessoal de saúde, que diariamente lutam com
estoicismo para salvar vidas, também vão ter de tirar a vida a todos aqueles
que assim o desejarem. Triste paradoxo este de termos hospitais que também vão
passar a cuidar da morte! Mas se já servem para impedir a vida, no caso do
aborto, porque não acabar também com a vida, pois que de um «valor inviolável»
não se trata, mas apenas de uma “coisa” que pode merecer o tratamento de uma
coisa qualquer?
Todavia, na sua natureza
intrínseca, a eutanásia jamais deixará de ser um suicídio, apesar da roupagem
eufemística que lhe vestem, e jamais deixará de ser uma violenta subversão do
direito natural pelo direito positivo dos homens. Lei a lei, Portugal vai sendo
cada vez mais uma sombra que obscurece, e cada vez menos uma luz que alumia!

A felicidade aumenta a produtividade

Carmen Garcia

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